Vão Livre
De 50 minutos para 5: como agentes autônomos
transformaram o jurídico de uma construtora
O que aconteceu aqui
A Vão Livre é uma construtora de estruturas metálicas com sede na Paraíba, operando desde 1994. O trabalho começou como uma transformação completa da empresa: diagnóstico área por área, identificando onde a IA poderia resolver problemas reais. O setor jurídico foi o que mais trouxe oportunidades. O resultado: contratos de subcontratação que levavam 50 minutos passaram a ser gerados em 5, com envio automático para assinatura digital.
Uma construtora tradicional querendo mudar
A Vão Livre não é uma startup. É uma construtora com mais de 30 anos, especializada em estruturas metálicas: edifícios, hospitais, shopping centers, galpões industriais, setor de óleo e gás. O tipo de empresa onde as coisas funcionam do jeito que sempre funcionaram.
Mas a liderança queria entender onde a tecnologia poderia ajudar. Não com promessas vagas de “transformação digital”, mas com resultados concretos, no dia a dia de quem trabalha lá.
Fizemos um diagnóstico completo, área por área. E eu acredito numa coisa: o aprendizado tem que estar ligado à prática. Então, ao invés de entregar um relatório e ir embora, cada pessoa estratégica da empresa escolheu um projeto, algo que tomasse muito tempo durante a semana e que pudesse ser automatizado.
Minha regra: se você faz algo repetitivo que leva mais de uma hora por semana, isso deveria ser automatizado.
50 minutos para gerar um contrato que segue sempre o mesmo padrão
A área que mais trouxe ideias foi o setor jurídico. Poucas inovações em tecnologia, mas muita consciência de que o trabalho era repetitivo.
No mundo das construtoras existe algo chamado subcontratação. Você está dentro de uma obra e precisa contratar outras empresas para executar serviços específicos. Cada subcontratação exige um contrato. E esses contratos seguem um padrão. O que muda é o faturamento, o objeto do serviço, os dados do fornecedor.
Parece simples. Mas na prática, uma pessoa do jurídico (não um júnior, alguém com senioridade) gastava em média 50 minutos por contrato. Por que? Porque o processo envolvia buscar dados no ERP, procurar informações do fornecedor na internet, esperar a solicitação chegar da engenharia, coordenar entre várias pessoas. Era um trabalho de orquestração, não de inteligência jurídica.
E as solicitações chegavam por WhatsApp ou email, sem padrão, sem rastreabilidade. O engenheiro de campo mandava uma mensagem pedindo o contrato, e começava uma corrida de ida e volta entre jurídico, engenharia e o fornecedor.
Da prova de conceito aos agentes em produção
Primeiro: entender como as coisas já funcionavam
Mapeamos o processo e percebemos uma coisa importante: os engenheiros já usavam texto escrito (WhatsApp, email) para solicitar contratos. Isso significava que a interface com IA não precisava ser algo estranho. A forma escrita já era natural pra eles.
Segundo: prova de conceito rápida
Criamos um fluxo simples com Make (n8n) para validar a ideia. Não era para ser a solução final, era para ver se fazia sentido e como as pessoas reagiriam. Os primeiros resultados foram animadores. E mais importante: serviu de aprendizado para o time do jurídico, que estava desenvolvendo junto comigo. Eles entenderam o que era possível.
Terceiro: produção com agentes autônomos
Com a validação feita, partimos para a solução real. Usamos o OpenClaw como base de automação agêntica, e sobre ele construí o Mission Control, minha plataforma onde os agentes autônomos vivem. Pense nela como um Trello: você consegue ver tudo o que está acontecendo, cada etapa, cada movimentação. Mas os agentes também conseguem fazer essas movimentações sozinhos.

Mission Control: cada contrato passa por Rascunho, Análise Jurídica, Aprovação da Engenharia e Pronto. Os agentes movem os cards automaticamente.
Dois agentes, um Discord, zero fricção
Criamos dois agentes dentro do Mission Control:
Boat
Responsável pela orquestração. Tudo que acontece no processo (cada etapa, cada movimentação) o Boat organiza e acompanha dentro do Mission Control.
Lex
Responsável pela elaboração dos contratos e busca de dados. Vai no ERP, vai na Receita Federal, monta o contrato, envia pra assinatura.
Os agentes vivem no Discord. Escolhemos o Discord pela facilidade de criar canais, um canal por obra. Poderia ser WhatsApp ou Telegram, mas o Discord nos deu organização rápida.
O engenheiro de campo entra no canal da obra dele e diz: “Lex, preciso de um contrato de subcontratação para essa obra.” E o Lex vai trabalhar.
O Lex busca as informações no ERP. Se o fornecedor não está cadastrado, vai na Receita Federal buscar os dados. Se falta alguma informação, pergunta. Pode até fazer o cadastro no ERP se for preciso. Tudo isso aparece visualmente no Mission Control. O processo inteiro pode ser acompanhado.
No final, o contrato é gerado, enviado para a plataforma de assinatura digital, e o Lex acompanha. Se o contrato fica dias sem assinar, ele cobra. Avisa que as coisas não estão andando.

O agente Lex no Discord: contrato gerado com dados do ERP e Receita Federal, PDF pronto e link para assinatura digital.
Essa é a diferença entre desenvolver software e desenvolver soluções com IA. Software espera você clicar. Um agente de verdade é proativo. Ele sabe que tem coisa pendente e age.
De 50 minutos para 5. Do pedido à assinatura.
O profissional do jurídico que gastava 50 minutos montando contrato agora gasta 5, e a maior parte desse tempo é revisando, não executando. O resto do tempo ficou livre para trabalho que realmente exige senioridade jurídica.
O fluxo completo, da solicitação do engenheiro até o envio para assinatura digital, acontece sem ninguém precisar abrir ERP, buscar CNPJ, formatar documento ou enviar email. O agente faz tudo e ainda cobra quando a assinatura atrasa.
Sua empresa tem processos parecidos?
Se alguém na sua equipe gasta mais de uma hora por semana em trabalho repetitivo, provavelmente dá pra automatizar. Começar é mais simples do que parece, e os resultados aparecem rápido.
me@diegolira.com